Thursday, 21 August 2025

GRATIDÃO e VALORES

 

Durante a pandemia, com dois anos de idade, o Benjamim batia palmas aos funcionários que recolhiam o lixo. Aplaudia-os como se fossem heróis de cinema. Eram. Ele sabia o que nós, adultos, fingimos não saber.
Ontem, em Porto de Vacas, o Marquinhos correu para os bombeiros que tinham acabado de salvar a sua casa. Abraçou-os. Um a um. Não houve hesitação, não houve medo. Houve a representação urgente da gratidão.
Comovi-me. A infância envergonha-nos pela simplicidade. As crianças ainda não foram ensinadas a venerar os medíocres. Têm um radar para distinguir os que realmente seguram o chão debaixo dos nossos pés. Simplificam o que nós complicamos.
O mundo está podre de adultos que se curvam diante de quem manda e ignoram quem salva. É preciso desaprender isso. Pudéssemos nós reaprender, com eles, a aritmética primitiva do que sentimos. Essa bate sempre certo.

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