Monday, 27 October 2025

MEDICINA E DIREITOS SOCIAIS: "CARTA AOS MÉDICOS DAS JUNTAS MÉDICAS"

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Pedro Chagas FreitasPedro Chagas Freitas • FollowingFollowing 🏆 Autor favorito dos portugueses 📚 Um milhão de livros vendidos 🎓 Formador de Escrita 🧠 Orador (des)motivacional 📩 pedrochagasfreitas@icones.pt🏆 Autor favorito dos portugueses 📚 Um milhão de livros vendidos 🎓 Formador de Escrita 🧠 Orador (des)motivacional 📩 pedrochagasfreitas@icones.pt 6h • 6 hours ago • Visible to anyone on or off LinkedIn "Não é a minha história. Podia ser. É real. É a história de demasiadas pessoas. Recebo algumas todos os dias. Chamaram um pai à Junta. Ele foi. Entrou com a vida às costas: a mulher exausta, a filha de quatro anos a pedir colo, o filho a lutar contra uma leucemia mieloide aguda num corredor de hospital. Perguntaram-lhe se não tinha outra filha pequena. Ele respondeu que sim. Disseram-lhe que não fazia sentido estar de baixa: — A mãe já está, o pai deve trabalhar. Assim distrai-se. Distrai-se. Vou repetir a merda da palavra: distrai-se. Como se distrai um pai que vê o filho a perder força, luz, energia, vida? A distracção é um conceito inventado por quem tem o luxo de não sofrer. Para quem vive na ala pediátrica de um Hospital, de um IPO, não há distracção; há sobrevivência, um nó no estômago que não desaparece, noites que não acabam, dias que não começam. — A mãe está em casa, o pai pode trabalhar. Não, meus caros. Não. O amor não é uma função delegável, a presença não é um desperdício económico, o pai não é um acessório, a família não tem Departamentos. Este pai podia ter obedecido, podia ter voltado ao trabalho, podia ter deixado a mulher sozinha, a filha confusa, o filho doente. Ficou. Rebentou as economias todas. Ficou. Há batalhas mais importantes do que tudo: as que se travam à cabeceira de quem se ama. Senhores/as médicos/as das Juntas, a medicina que não escuta deixa de curar. Aquele pai, como tantos outros, não pediu privilégios. Pediu o mínimo: compaixão, empatia, tempo, uma possibilidade de salvação. Não há normalidade possível quando um filho luta para viver. Não há um Estado digno quando a dor de um pai, de uma mãe, vale menos do que a folha de um orçamento. Por isso vos peço: não sirvam a contabilidade. Sirvam a vida. Obrigado, Pedro"

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